quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Dupla personalidade?

Por que os poetas tentam se esconder atrás de suas palavras?
Por que a poesia muitas vezes é usada pelo poeta para fugir de suas dores pessoais?
Por que a poesia muitas vezes não demonstra a verdadeira situação de quem escreve, e sim como ele gostaria de estar?

Porque a poesia funciona como um desabafo.
Talvez seja essa mesma a sua função.
Não existem teorias capazes de descrever o motivo de uma poesia, cada poeta tem seu motivo.
Tentar descrever um motivo pessoal em livros é impossível e ainda existem pessoas que perdem seu tempo tentando.

Já pensaram que o culpado pode ser o que está inocentando?
Aquele santinho lá em cima pode ser o que atirou o álcool e o fogo.
Não adianta ficar olhando pro óbvio procurando respostas.
Talvez é o inesperado que te responderá.

Pare de se simplificar.
Pare de simplificar seus pensamentos.
Nós não somos simples.
Não fomos criados para nos entendermos.
Não adianta entender como o outro é e esquecer de procurar quem você é.
E não vai ser em livros que você achará isso.

E tudo que criarmos nos abraçará.
Nos acolherá.
Ou nos abaterá.
Pois quem cria é que define o objetivo desta criação.
Não crie outro eu pra você pois será este outro eu que começará a te modificar.
E você pode passar a ser a criação.

Poder de persuasão ninguém tem.
Isso é uma grande ilusão.
O problema (se é que é um problema) está no persuadido.
Ele que se deixou levar por aquelas palavras.
Pare de culpar os outros e perceba que o fraco pode ser você.

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Ps.: a intenção não era sair 'em forma de poema' mas foi como a coisa desenvolveu...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Enquanto isso...

...no fundo do mar, a colônia sereia trabalhava como um dia normal. Afinal, não é porque eles são seres mitológicos que eles tem que viver aventuras todos os dias...
Mas o jovem Bob, da família Baiacu (sobrenome bem comum por aqui), queria porque queria ser uma lenda entre eles... Ele já era uma lenda, afinal ele era um garoto-peixe, mas ele não se contentava com isso, queria ter uma vida como nos livros dos humanos: cheia de perigos, desafios e monstros do mar.
Só tinha um pequeno problema... Ele não tinha habilidade com nada...
Ele tinha um esconderijo nas pedras do lado de fora da cidade. Uma vez entrou um tubarão lá dentro e ele não quis pedir ajuda, afinal era a grande chance da vida dele de fazer algo surpreendente.
Ele se fantasiou de humano, achou um tridente e foi.
Chegando lá o tubarão estava dormindo e havia quebrado grande parte das coisas dele.
Bob entrou vagarosamente, colocou almas armadilhas espinhosas por todos os lados e jogou com força o tridente no tubarão, que acordou muito assustado e saiu batendo em todo lado.
Trombou no Bob e o jogou com força para uma parede. A máscara que Bob estava usando quebrou e acabou o machucando seriamente. Ele acabou ficando cego.
Depois do acontecido ele passou a ficar mais deprimido mas ainda e pensava: "Agora eu já tenho uma grande história para contar para os meus netos. Afinal não é todo dia que se sobrevive a um ataque de tubarão."
Seus pais compraram e treinaram um peixe-cachorro para ser seu guia, afinal um menino tão imperativo nunca conseguiria depender dos outros.
Agora ele se prepara para uma nova aventura. Já que não encherga nada mesmo irá ao lugar mais temido por todos: o fundo do oceano.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Espelhos

Um simples passo
Se tranforma em milhares de passos
Não menos simples
Mas mais fascinantes

Às vezes esperamos nos ver
Às vezes esperamos nos ver diferentes do que somos
E às vezes não esperamos ver nada de mais

Eles nos falam como estamos
Mas eles não falam
Nós que inventamos suas palavras
Que na verdade é apenas o que pensamos de nós mesmos

Nem sempre duas pessoas vêem a mesma coisa
Elas vêem nada mais do que vêem através dos olhos
Mas parece que olhando no cristal tudo fica mais bonito ou mais feio
Depende apenas do que elas querem ver.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Desabafo

Crianças são criaturas interessantes não?
Como conseguem ignorar o mundo a sua volta com tanta facilidade?
Confesso que as invejo muito...

Tudo que eu queria era conseguir ficar um segundo sem ouvir o mundo a minha volta.
Fones de ouvido? Só servem para aumentar as vozes na minha cabeça...
Às vezes penso que não queria ouvir como eu ouço... Acho que existem coisas que foram feitas para não serem ouvidas.

Quantas vezes já me aconteceu de alguém ser gentil comigo e eu a ouvir pensando que nem queria ter chegado perto de mim. O que posso fazer? Ficar calado... Aguentar os insultos da mente dos outros como se não os tivesse ouvido porque afinal de contas EU NÃO DEVIA OUVIR.

A irmã de Flávia tem um dom parecido com o meu, mas o dela só funciona com animais. Não sabemos se ela os ouve, mas eles a ouvem e na grande maioria das vezes a obedecem. Com certeza vai ser considerada louca quando maior. Tem sorte por ser criança.

Flávia muitas vezes já brigou comigo por dizer que não queria ter este dom. É fácil pra ela falar, ela controla os 'poderes' dela como bem entender...

A parte boa de tudo é que posso ajudar as pessoas com o que elas precisam ouvir, afinal elas nem precisam se confessar pra mim que já sei seus problemas. Já me decidi, quando terminar a escola vou juntar um pouco de dinheiro e vou viajar para conversar com as pessoas. Serei uma espécie de psicólogo mas melhor, afinal não é todo dia que se acha um psicólogo que lê pensamentos.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Nuvens

Estava deitada na grama da fazenda olhando as nuvens.
Estava um dia lindo, poucas nuvens no céu, mas o suficiente pra perder horas olhando-as.
Avistou uma em forma de cavalo. Deu um sopro e ele saiu galopando pelos céus até sumir no horizonte.
Aquilo era realmente divertido, dar vida às nuvens usando o vento era fácil pra ela, dificil era controlar a vontade e não fazer isso na frente de outras pessoas.
Ela sabia que isso espantaria muita gente...
Apenas um amigo sabia, os dois sempre foram da mesma sala e ele também fazia coisas incríveis. Não como ela mas de outro tipo. Ele conseguia implantar ideias na cabeça dos outros. Coisas simples mas que sempre os ajudavam muito. Principalmente quando se juntavam e pregavam peças nos colegas de sala ou nos professores.

Viu uma nuvem em formato de tartaruga e outra em formato de homem. As duas iam uma contra a outra e a tartaruga estava diminuindo de tamanho e o homem aumentando.
Ela ouviu sua irmãzinha gritando com o gato que havia subido na árvore. Era um mangueira grande e o gato estava escorregando de um dos galhos mais altos.
A menininha gritava pro gato subir mas ele não conseguia.
O gato teve sorte pois nossa maga chegou bem a tempo e amorteceu sua queda com uma lufada de vento...
Sua irmãzinha pegou e abraçou o gato e saiu pulando com ele: "Esse é meu gato, super esperto e forte, e eu preocupada achando que você ia se machucar"

Voltou a olhar para cima e o homem havia sumido e sobrado apenas um pouco da tartaruga...

Ela não gostava de pensar assim... Não queria que tivéssemos que escolher entre nós e os outros (sejam eles animais ou humanos).
Queria mesmo era que todos vivessem em harmonia.
Seria muito difícil? Não importa... Mas era o que ela acreditava. E ela lutaria por isso.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Pedro

Quando criança tinha uma imaginação incrível.
Era surpreendente como uma simples chuva fazia-o perder horas e horas brincando de tudo que se podia imaginar. Desde pequeno percebemos que ele não era uma criança normal.
Ele fazia coisas que ninguém mais conseguia fazer. No começo foi meio assustador mas nos acostumamos e ele também foi aprendendo a controlar. Passou a ser divertido.
Escreveu historias e historias ainda quando criança. Parecia um escritor de verdade. Criava lendas em questão de minutos.
Suas ideias, que já eram renovadoras, tomaram mais força com a adolescência.
Ele queria viajar. Queria falar pras pessoas sobre o que pensava.
Fez uma poesia chamada "A magia como ela é" e tentava explicá-la a quem gostava de ouvi-lo
Encontrou muitos e muitos desafios. Mudou algumas coisas aqui ou ali mas viu que seria mais complicado do que imaginava...
Depois de um tempo decidiu que queria ter uma vida normal. Já bastava ser chamado de louco!
Alugou um apartamento.
Conseguiu emprego em um escritório grande.
Acabou atropelando um cachorro sem querer e o pegou para cuidar. Pois o nome de Totó.
Escreveu um poema chamado "O futuro" que falava justamente como ele estava naquele momento.
Sem sonhos.
Resolveu procurar pessoas como ele (com a faísca da magia) para tirarem um grande ditador de sua cidade...
Encontrou-os e venceram a batalha.

Percebeu que era inútil lutar contra a magia.
Ela estava dentro dele. Sempre esteve. Isso o fazia especial e ele estava desperdiçando aquela chance de SER especial...
Aprendeu que não conseguiria mudar o mundo.

Não sozinho.

Qual a verdade?

Ele era um mago. Andava o mundo procurando uma maneira de muda-lo. Mudou coisas aqui ou ali mas viu que nunca ia conseguir mudar tudo como queria. Então parou e resolveu casar, ter filhos e virou judeu. Seu grimório ele despedaçou, quebrou as poções, tirou todos os vestígios da magia de sua vida. Exceto de sua mente claro. Viveu assim por anos e anos. Uma vida simples e sem sonhos, já que estava tentando apagar a faísca renovadora da magia.

Onde ele vivia passou a reinar uma nova era. Uma era onde pessoas como ele não tinham vez... Uma era de perseguição a suas crenças e um homem com bigodinho começou a mata-los...
"Temos que limpar nosso Estado desses sangues-sujos" pregava o homem de bigodinho.
Nosso ex-mago teve que fugir. Fugiu para muito longe e viu de longe sua cidade ser destruida por guerras e mais guerras internas. Viu-a ser dividida em duas. Viu países brigando por ela.
Nesse momento percebeu que não poderia ter desistido de mudar o mundo com sua magia...
Correu atrás de pessoas como ele e as encontrou. Estavam mais perto do que imaginava. Dezenas delas. Escondidas, com medo, sem esperança.
Ao verem alguém determinado e com coragem suficiente para enfrentar aquele regime, finalmente se uniram e começaram a se preparar.
Naquele momento de união entre magos de diferentes especializações, muitas novas magias foram criadas, cada um ajudando com um pouco do que sabia.
Magias de explosões, magias de proteção, magias de cura, entre muitas outras.

Foram...

Todos protegidos com campos de força individuais, foram em direção ao líder para matá-lo.
Tiros foram disparados para impedi-los. Sem sucesso claro. A força de vontade deles era mais forte do que a força das armas.
Até que o inesperado aconteceu. Magias foram lançadas contra eles.
Todos ficaram muito espantados com aquilo, mas com a grande mente que possuíam logo entenderam o que realmente estava acontecendo...
Apenas um mago teria em mente uma idéia tão bem formada de renovação de uma sociedade. Ele achava que estava criando um mundo perfeito. Achava que suas ideias eram as mais certas. Achava que sua vontade que devia prevalecer...

Não era isso que eles estavam fazendo? Tentando impor suas ideias sobre uma nova. Tentando mostrar que a verdade deles que era a melhor. Tentando julgar o pensamento do outro com base no deles.

Quem estava errado? Ninguém.
Cada um com sua verdade.

Mas já era tarde demais para desistir. E eles não queriam desistir. Eles não deviam desistir.
Por mais que ninguém estivesse errado, a ideia deles era a que salvaria mais pessoas. Salvaria os que não possuíam a faísca renovadora da magia.

O final de tudo isso?
Vocês sabem... O regime foi derrubado. A cidade unida novamente.
Ainda existem seguidores daquele homem, mas uma ideia é impossível de ser dizimada com guerras.
Apenas com uma ideia melhor.

Você julga a sua melhor do que a do outro?